sexta-feira, 7 de maio de 2010

Reloaded

Uau.
Muito tempo se passou desde que realmente quis escrever aqui.
Justificativas? Infinitas.
Motivos? Nenhum.
Desde que voltei dos EUA, não parei um só segundo. Passei momentos
difíceis (leia-se: 2009 - o pior ano da minha existência que terá longos 108 anos),
mas mesmo assim não encarava esse blog como um inútil diário virtual mais.

Pensei em escrever sobre filmes, mas passei a ver tão poucos...
Pensei em escrever sobre séries, mas passei a ver tantas...!

E, justamente, duas pessoas me influenciaram a usar esse espaço novamente:
Augusto e Haendel.

Augusto está de volta dos EUA também e mandando ver em seu "A Cloud Maker", um blog de críticas de filme. Haendel visitou minha página e leu um post antigo sobre meus contos quando estes ainda não passavam de idealizações. Pouco mais de um ano depois, O Vendilhão de Rumores está todo em manuscrito, mas não sei como editá-lo, como finalizá-lo. Será aquele tipo pessoal de tormenta na vida de todo pseudo-escritor, sabe? Igual o Inception foi para Christopher Nolan, ou Avatar para James Cameron. Doppelganger também está em pedaços, mas eu me sinto sempre capaz de escrever mais algumas linhas. A história é boa, mas ao contrário do que eu previ em 2009, ela também tem elementos de ficção-científica... The Bystander Effect continua como um simples vislumbre em minha cabeça. Ainda não comecei nada dele. Bom, Salões Oníricos. Esse sim deu pano pra manga. Mas é melhor deixar pro próximo post.

There is nothing like home.


quarta-feira, 11 de março de 2009

Down is the new Up. part 2

algumas linhas sobre Radiohead.

"Cidade de ponta à cabeça. Controle de perspectiva. aahuhauhauhau

Fuck us.
Você vê o que nós queremos que veja.
Respira, come e conhece o que queremos que conheça.

Nós dobramos, contornamos, alteramos e ajustamos tua realidade.
Nosso propósito é esse: certificar de que nosso status quo seja eterno.
Você aí, nadando na ignorância enquanto se distrai no entretenimento,
e nós aqui, visando um futuro cada vez mais estável para todos.



Organize-se,
Deixe a luz entrar.
Sirva-se de um banho quente, sirva-se de um drinque.
Nada vai acontecer sem aviso.
Pra baixo é o novo pra cima.
Qual é, viadinho?
Pra baixo é o novo pra cima, é o novo pra cima.

Não quer ser minha garota?
Não quer ser minha garota?
Seus serviços não são requisitados.
Seu futuro é negro, você é tão "semana passada"!

Senhoras e senhores,
sem cama elástica realizarei agora um flip flop 180.
Devo agora amputar, devo agora contornar.

Porque pra baixo é o novo pra cima.
E se eu simplesmente der um flip-flop?
Pra baixo é o novo pra cima, é o novo pra cima!

Você saiu de fininho e nos deixou.
Seu bastardo! Seu bastardo!

Você aí na Câmera Cândida,
Esse trincado em sua armadura...
Essa cidade de ponta à cabeça...
Essa cidade de ponta à cabeça...

Esvazie seus bolsos!
Passe pra frente, passe adiante!

Você saiu de fininho e nos deixou."

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Down is the new up

Não estou no melhor humor, é uma pena. Por causa disso, quase que minha cerimônia do Oscar vai pelo ralo. Ainda assim, eu não podia de forma alguma perder o momento único em que Heath Andrew Ledger seria anunciado como candidato como Melhor Ator Coadjuvante de 2008 e, em seguida, ser honradamente premiado.


E finalmente aconteceu, e eu assisti tudo. O pai, a mãe e a irmã do ator sobem ao palco e prestam os devidos agradecimentos. Todos os rostos dos artistas mostrados na transmissão estavam emocionados, as lágrimas fazendo um grande esforço pra não serem puxadas pela gravidade. Eu não estava diferente; era desde então um dos melhores momentos de 2009 pra mim.

The Joker. um eclipse que ofuscou todos os papéis anteriores na carreira do ator. Uma encarnação inefável e sem precedentes que absorveu completamente o conceito do antagonista dos quadrinhos e o transportou para o cinema. O que as pessoas viram no Cavaleiro das Trevas não foi um personagem ou um ator; foi o Coringa em carne e osso.

Não existem muitos argumentos favoráveis que eu poderia dizer em relação à Cerimônia este ano; apenas The Dark Knight e Wall-E fizeram com que eu tirasse o chapéu. Na verdade, nem compensa dividir as linhas de um post dedicado ao Coringa em pessoa com os outros indicados e vencedores. Deixa meu raciocínio retornar.

Quando uma pessoa deixa este mundo no ápice do talento tal como Heath Ledger, a sensação remanescente é a de que sua última interpretação é intocável, perfeita, renovadora. Cada segundo que o Joker está em cena na segunda película de Batman é uma aula de arte cênica. A boca do espectador escancara de felicidade, incredulidade e inspiração. Não é difícil deixar um comentário do tipo: foi o melhor vilão que eu já vi no Cinema!, dado o contexto atípico em que mergulhamos ao ver o filme. Um sujeito sem passado que apenas quer ver o pau quebrar e botar o mundo de cabeça pra baixo é muito mais fascinante que um malvado que aspira dominar o mundo ou angariar montanhas de dinheiro.



Do you really think I look like a man with a plan?

Sim e não, Ledger/Joker.
O que importa é que você se tornou grão-mestre da Interpretação aos 28 anos.
E eu espero que você seja recompensado com um bom Dharmma por isso.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

I might be wrong

Pra matar o tédio, hoje fui a um bar com os amigos daqui. Preferia ter ficado em casa assistindo um filme, mas se o lado social enfraquece demais, às vezes é impossível recuperar a moral perdida.

Pois bem, fui na tora e sem grana no bolso. Felippe, meu roomate, ia salvar os drinks. Na segunda e última rodada, o pessoal juntou as notas e pediu pra que eu fosse buscar a jarra de cerveja no balcão. Fui sossegado.



Pedi a atendente uma Pitcher e quatro copos. Ela me entregou e disse:

- U$ 8.75, please.
- Here you go - dei a ela 10 dólares (que não eram meus, mas da galera).

Ela pegou o troco, me deu e disse com um sorriso no rosto:
- Thank you.
- Thank you. - retornei e coloquei as moedas no bolso lateral.
5 segundos depois, ela diz mais uma vez:
-Thank you!

Eu sem entender nada, respondi ao agradecimento com as mesmas palavras. Por fim, ela explica a situação engraçada ao proferir a seguinte frase:

- It's good to have some tips once in a while, y'know?

Peguei a jarra e os copos e voltei sem graça pra mesa.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A Hat Full of Feathers

Tenho uma tonelada de papéis escritos sobre Rapid City, mas eu simplesmente não tenho mais paciência sequer pra reclamar deste lugar. Não tem mais sentido. Vou falar sobre o que aparecer na reta, agora.


Ah! Vou puxar um assunto polêmico, então. Na semana passada ocorreu um evento muito famoso por aqui, o Rodeio. E com a vinda dele, centenas de cowboys e tietes infestaram as ruas da Downtown. Aqueles chapéus, esporas e camisas xadrez me matavam de rir, mas ao mesmo tempo me despertavam um sentimento de desconfiança. Explico.



Antes de tudo, cabe aqui lembrar que vários estados americanos foram "bem" representados por seus estilosos vaqueiros. Texas, Arizona, Nebraska... estavam todos aqui! Não pude também deixar de notar que a maioria desses hombres eram simples rapazes; poucos correspondiam ao estereótipo lançado pelo cinema hollywoodiano. É esse um dos pontos que quero chegar: minha surpresa com a quantidade de cowboys poser. Um bando de gente que provavelmente acha as roupas elegantes mas não deve ter coragem de sujar as botas no pasto. Ou mais hilário: bancam de machões, mas no fundo, no fundo... =X

Abro um paralelo aqui pra Brokeback Mountain, película dirigida em 2005 por Ang Lee. Lembro de te-lo assistido numa ocasião bastante embaraçosa, o que contribuiu ainda mais para que eu não considerasse os pontos positivos do filme. Acompanhado de uma menina muito bonita e do meu fiel escudeiro duas filas atrás (leia-se: Aline e Julião), a história de dois cowboys que se pegam numa cabana no Alabama me desceu quadrado. Como drama é apenas regular. Ja os aspectos técnicos de fato são acima da média (a paisagem e a trilha sonora é foda!). Independente, não seria um filme que eu recordaria eternamente, se não fosse por esse cruzamento de referências que tive a oportunidade de experimentar.



Brokeback Mountain destrói, esmirila, escurraça a imagem do cowboy durão. Num país em que o preconceito sexual é atenuado como os USA, foi muita coragem Ang Lee trazer um livro com tamanha propriedade para o Cinema. A noção de desconstrução de um way of life tão enraizado e reafirmado como o dos vaqueiros americanos é saudável por expor seus pontos ridículos. Ela desmascara e alfineta os posers e qualquer um que bota um mato na boca, cospe de lado e se diverte enquanto enforca um mamífero com seu laço.

A importância de Brokeback para o Cinema e para a Sociedade, principalmente a estadunidense, é ímpar. Vale a pena vê-lo de novo sob esse reformulado viés. Afinal, com toda a virilidade emanada por tais bravos homens, qual será a sensação da impotência diante de um tapa cinematográfico como este?