quinta-feira, 22 de novembro de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Finding beauty in dissonance
sentimento de compaixão entre supostos amantes."
-Tool
domingo, 1 de abril de 2012
What goes around, comes around
Louder, faster, crazier.
Toda continuação se preza em entregar um material mais bruto, inerente em sua constituição de romper os limites do ponto original. Em Skins, temporadas 3 e 4, destinadas à segunda geração de jovens, esta fórmula se faz presente e ressoa na cabeça do espectador como um alarme desenfreado. Que abram os portões do nonsense e pueril.

Skins, popular pelo retrato aparentemente distorcido de adolescentes de Bristol, Inglaterra, agride com sua impetuosidade: palavrões, bebedeira, drogas, sexo, irresponsabilidade. Personificando todo o caos, um núcleo competente
de atores conduz a orquestra de suas vidas, dançando tropegamente a fase mais interessante do humano: a juventude."Sometimes I think I was born backwards. You know, come out my mum the wrong way. I hear words go past me backwards. The people I should love, I hate. And the people I hate..."
E para carregar um legado tão pesado e cerimonial, imaculado por Cassie, Chris, Tony e toda a turma da primeira geração, eis que surgem as novas faces dispostas não para imitar, mas para reinventar ao seu próprio estilo o que se concebe por Skins.
Do trio de mosqueteiros, Freddie é o skatista, o cara de sentimentos profundos e reticentes. Apesar de se entregar às indulgências, tem um enorme auto-controle e representa o eixo do grupo. Cook, em contrapeso, é a desordem, é a ausência plena do futuro, um adolescente verborrágico, barulhento e que não compreende muito as leis de causa e consequência que regem a própria sociedae. Para fechar este grupo, JJ é a cola. Precocemente concebido como o novo Sid, sua singularidade de garoto autista, mágico e gênio tornam-o facilmente um dos favoritos da temporada.
Do lado feminino, prato cheio. Pandora está de volta, vivendo em sua própria bolha cuidadosamente costurada por mãos maternas. As gêmeas Katie e Emily são definitavemente pérolas de beleza e naturalidade, e sempre roubam a cena quando o assunto é sex appeal. Naomi, a revoltada, aparece como uma pedra no sapato logo nos primeiros minutos, mas é muito mais do que um estereótipo ranzinza. E por fim, Effy, a enigmática irmã de Tony, também retorna para performar um dos papeis adolescentes mais interessantes desta década.
Do time de outsiders, Thomas, o imigrante do Congo, traz consigo cavalheirismo e porte.
Logo durante o primeiro capítulo do terceiro ano, alguns pontos se estabelecem em contraste com a geração anterior:

- O elenco parece menos maduro;
- As tramas são mais surreais;
- O colégio tem maior destaque.
Estes ingredientes, definidores da segunda geração de Skins, consolida meus dizeres de posts anteriores sobre o poder de auto-crítica do próprio programa, que sabe que anda na linha tênue do inverossímil e surreal, mas ainda assim, em meios a sarcasmos, trivializações e vulgaridades, nos entrega dramas críveis, munidos de sentimentos que transbordam das expressões e das falas dos personagens.
"I’m a fucking waste of space. Just a stupid kid. I got no sense. A criminal. I’m no fucking use. I am nothing. So please... please... get it into your...you know...into your bonce....That... I’m Cook!"
Se você, que temia que o novo núcleo não fosse tão agradável quanto o primeiro, fique tranquilo. Acertadamente, esta nova fase de Skins tem sua própria identidade, seu próprio ritmo. Baixem sem medo.
terça-feira, 6 de março de 2012
I've got another confession, my friend...

Este projeto, que trata do início da carreira de Dave Grohl como líder de sua nova banda, atrairá tanto aqueles que já são fãs de seu trabalho como também aqueles que conhecem apenas alguns hits como All My Life, Learn to Fly, Times Like These and Big Me. Independente, a construção e a clareza da narrativa coloca esses dois grupos de espectadores num mesmo balaio, pois oferta informações desconhecidas até para o mais ferrenho fã como também traz um panorama para quem pouco conhece a banda.
E assim, sob o estandarte daqueles que não conhecem os bastidores da banda de Grohl, conferi o trabalho. A primeira coisa que se pensa ao associar Nirvana e Foo Fighters é que Dave em algum momento deu a volta por cima após o suicídio de Kurt, seguiu uma direção mais fanfarrona e montou sua banda (vide os clipes do FF). E é basicamente o que mostra na tela nos primeiros 15 minutos de produção!Contudo, mais marcante do que supor a trajetória do músico é conhecer mais seu lado humano e notar sua reação em diversas situações demonstradas no documentário, entre elas:
1- A notícia da morte de Kurt;
2- A angústia de ser sempre associado ao Nirvana no início do FF;
3- A decisão repentina de regravar todas as faixas da bateria do álbum The Colour and the Shape, a despeito da opinião do bateirista da banda na época, William Goldsmith;
4- A aceitação de que por algum motivo mágico, o FF não conseguia capturar um membro para sua banda por muito tempo;
5- O concerto no estádio de Wembley que, no auge da música Best of You, Grohl não aguenta e chora de felicidade.
Dave, ao longo da película, se manifesta como um cara sensato, um líder esforçado e que tem muita noção da identidade da banda que criou. E ainda mais, é um cara extremamente criativo, principalmente durante o processo de produção do Wasting Light, em que ele, para compor uma das faixas do álbum, pede cinco minutos para escrever uma letra qualquer e que atenda, sob suas próprias palavras, o tal do lixo fonético.

Foo Fighters: Back and Forth, é um tocante registro do construir a música, tanto no sentido comercial quanto no criativo. É um bonito retrato audiovisual de uma das bandas mais interessantes dos anos 90, e que está na estrada, ainda hoje, lançando trabalhos cada vez mais primorosos. Sem pieguices ou meias palavras, é um retrospecto da vida deste cara caristmático que é o Dave Grohl, e como suas escolhas foram determinantes para que hoje escutemos em nossos mp3 players e ipods baladinhas como Everlong, The Pretender, Big Me...
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Don't you agree? STFU
Outro ano, outras experiências. Aquela busca imprevisível de ser contemplado por alguma obra que faça qualquer sentido para você. Costumo ser pessimista durante o início dos anos em relação ao Cinema, principalmente até maio. A sensação é a de que não haverá nada de bom durante a temporada e os frutos da esperança parecem cair todos sobre os colos da TV, cada vez mais elaboradas com suas produções.
Mas, é claro... as cerejas do bolo são muitas vezes lançadas apenas em novembro e dezembro, ou fazem aparições mais ou menos tímidas em alguns festivais e tem uma distribuição ainda mais acanhada nas terras de cá.
Enfim, não quero divagar tanto. Aviso: minha lista dos melhores de 2011 incluem filmes que foram lançados no Brasil naquele ano ou que eu só consegui baixar nesse período. Como perceberão, ignorei completamente os indicados pro Oscar 2012, um dia se der tempo explico o motivo. Vejamos:
1. Drive
2. Melancholia
3. Blue Valentine (Namorados para Sempre)
4. Exit Through the Gift Shop
5. Warrior (Guerreiro)
6. Black Swan (Cisne Negro)
7. Buried (Enterrado Vivo)
8. Crazy, Stupid, Love (Amor à Toda Prova)
9. Midnight in Paris
10. The Fighter (O Lutador)
Começando com uma película dramática sob o viés dos ringues, O Lutador (The Fighter) espanca pela força de seus personagens, principalmente por mais um memorável papel de Christian Bale, tão raquítico quanto em O Maquinista. Woody Allen, por outro lado, aposta mais na força de um roteiro original e nos entrega Meia Noite em Paris (Midnight in Paris) como um tributo à Literatura Mundial, delicioso, viajado e intelectualmente prazeroso.
Em Cisne Negro (Black Swan), Darren Aronofsky confirma o que muitos dessa geração já sabem: a consistência de seu talento como cineasta. Natalie Portman é um acerto para o que se espera de um Cisne Branco e toda a transformação psicológica necessária para a autodescoberta/autodestruição. Com um clima mais alegre, Amor à toda Prova (Crazy, Stupid, Love) é o filme família que funciona; é provavelmente responsável pelo núcleo de personagens mais harmônico da temporada.
Enterrado Vivo (Buried) é um daqueles projetos que, intencionalmente ou não, buscam provar várias verdades para a já engessada Hollywood: boas histórias podem ser contadas no espaço de 80 minutos utilizando apenas uma caixa como cenário, sim! E apenas um ator, olha só que bacana!
Guerreiro (Warrior), mais outro filme da lista que usa o combate para narrar o drama de seus personagens, é impactante pela força com que Tom Hardy constrói seu personagem, e é justamente esse ator que vai sustentar o próximo Batman, guardem o que digo.
Exit Through the Gift Shop é um daqueles documentarios que falam por si mesmos, e nem por isso se tornam lições fúteis. Seja tudo um truque do genial Banksy ou um verdadeiro filme sobre o valor da arte, o que talvez mais importa a respeito dele é o juízo de valor que se atribui às coisas. Genial.
Blue Valentine é o segundo filme da lista que conta com Ryan Gosling, meu ator eternamente favorito. Assim como DiCaprio, Gosling sabe escolher os projetos que se pretende envolver, por iss
o não é novidade vê-lo em meus Tops. A crueza e a naturalidade contada em Blue Valentine encarnadas por Gosling e Michelle Williams, reforçadas pela espontaneidade do diretor Derek Cianfrane, desponta-o como um dos melhores do ano.
E então, mais uma vez, me esbarro com o mesmo dilema: a arte pela arte ou o cinema social? Drive ou Melancholia? Drive é robusto, ultraviolento, bebe de fontes como Oldboy, Irreversível e clássicos do Charles Bronson, maquiado com um audiovisual belíssimo que nos transporta para uma etérea Los Angeles, e conta com a presença do motorista sem nome, o herói do ano. Melancholia, por sua vez, não é menos arte que Drive. Lars Von Trier compôs talvez o mais belo poema sobre o fim do mundo transposto para o cinema (e olha que é difícil tirar Dogville...) e certamente um dos melhores trabalhos de sua carreira. Mas é também marcante os aspectos sociais desta obra, que travam uma discussão sobre Ciência x Paganismo x Cristianismo, ou as perspectivas de otimismo e pessimismo que servem não para educar, mas sim para suscitar perguntas.
De qualquer modo, duas obras impecáveis e perfeitas em suas propostas.
Mas, por esta lista ser pessoal e se tratar mais de favoritismo do que de juízo de valor (como dizer que um filme é melhor que o outro? Sob quais parâmetros?), Drive fica com o ouro.
Não tem jeito, anti-herois + Ryan Gosling + ultraviolência é o combo.
Até o Oscar 2012, pessoal!
(que, à propósito, foi um desastre esse ano).
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
And The Bittersweetness of Growing up and Dying

resenha sobre a segunda temporada de Skins UK
"what if I'm not ready for this?"
Diz Tony, outrora o mais confiante cara do grupo, agora completamente desesperado quanto ao seu possível futuro longe dos amigos, da escola e da cidade em que viveu por todos os seus 17 anos.
"Oh. Wow!"
Skins encerra sua segunda (e última e ótima) temporada com o mesmo grupo de jovens (a cada duas temporadas o elenco se renova completamente). Chris, Jal, Tony, Sid, Cassie, Michelle, Effy, Maxx
ie, Anwar e Sketch. Nomes que farão vocês se inundarem de uma saudade tão grande como se tivessem sido um dia seus amigos de verdade, mas que agora só os encontram dedilhando fotografias antigas e clicando em pastas perdidas no seu computador."You'll find her, Sid."
Skins trouxe o que há de melhor numa série que seu público-alvo poderia desejar: graça, brilhantismo, cumplicidade e franqueza. Como diria Chris, "Foda-se" aqueles que se sentem ofendidos com um conteúdo tão direto e incisivo apresentados nestes 19 capítulos. Depois de pouco tempo acompanhando um roteiro cujas medidas elevam à perfeição o equilíbrio entre realidade e ficção, é fácil entregar-se à lágrimas com a mais sutil mudança de expressão de Cassie ao lidar co
m tanto peso que a vida lhe joga, ou o olhar sincero de Tony ao reconhecer em sua plenitude o amor que sente por seu melhor amigo, Sid."I need answers, Cassie."
É difícil falar novamente sobre esta série sem soar redundante. Se vale de alguma coisa, existe um salto narrativo entre o primeiro e o segundo ano, e se no primeiro aprendemos a gostar de todos - repito, TODOS - os personagens do grupo, no segundo temos uma impactante reconstrução de suas personalidades face à tantos problemas que enfrentam. Assim, avaliar qual temporada é a melhor é um tolo exercício. Talvez a segunda tenha um pouco mais de excessos, principalmente enquadrando Anwar como um "vida loca" ou elevando Michelle a um pouco mais amarga que de costume, mas estes são detalhes menores frente à quantidade de boas surpresas ofertada ao longo dos novos capítulos.
E antes de encerrar aqui meus elogios rasgados por esta tremenda produção, faço uma ressalva para Cassie, a garota mais interessante de toda a série. Hannah Murray, sua intérprete (que inclusive será vista no segundo ano de Game of Thrones), é dona de um talento apenas mensurável pela força de sua expressão em cena. Cass, um amálgama entre Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Zooey Deschanel, toma o carisma de um, a loucura de outro e uma pitada de genialidade do terceiro para dar vida a esta loira sorridente que lhe fará lembrar dela para todo o sempre. Seus dois capítulos exclusivos retratam uma fragilidade circundada de charme e bons modos, potencializada por uma beleza excêntrica ao prender seu relógio de pulso no próprio pé e ao repreender Sid dando-lho um tapa na cara precedido deum beijo. Um loucura adorável. Como descrever, então, sua explicação sobre enganar as pessoas enquanto finge comer a refeição? Oh, Cass... how lovely you are."A slap and a kiss."
Enfim...
Em 45 minutos, um episódio de Skins faz o seu dia não parecer perdido.
Ou então assista e diga na minha cara (ou no meu blog) que eu estou errado.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Be Quiet and Drive
dirigido por Nicholas Winding Refn, com Ryan Gosling, Carey Mulligan e Bryan Cranston.
EUA, 2011
Há anos bato na mesma tecla a respeito do talentoso ator canadense Ryan Gosling. Enquanto todo mundo corre aos cinemas para ver o novo filme do Johnny Depp, a minha ansiedade se direciona por conta desse cara que aprendeu atuar sozinho e foi home schooled (no estrangeiro, as famílias podem ensinar aos seus filhos o conteúdo ensinado nas escolas em suas próprias casas).
E em 2010/2011 o cara deu show. Blue Valentine, Drive, Crazy Stupid Love e Ides of March são quatro pérolas atuadas por Gosling, todas reconhecidas por premiações ao redor do mundo e que me fez sentir na obrigação de escrever algo a respeito.Drive, devidamente ovacionado em Cannes, é o conto sobre um homem viciado em adrenalina. Durante o dia trabalha como dublê, à noite é motorista de bandidos em fuga. Com seu comportamento comedido, sua blusa de cetim com um escorpião talhado nas costas uma propensão de economizar palavras, o motorista sem nome espreita à visualmente bela Los Angeles sem dizer de onde veio ou para onde vai. Por baixo de todo o arquétipo misterioso há um ser humano extremamente passional, seguro de si e habilidoso em seu ofício.
Em Drive, uma adaptação do livro de mesmo nome lançado em 2005, o dinamarquês Nicolas Winding Refn procura um ponto de equilíbrio entre narrativa e técnica. A história, aparentemente simples, se fortifica por uma estilização no mínimo tão eficiente quanto a empregada em Donnie Darko: a tentativa de situar um filme atual em padrões da época dos anos 80. O resultado é tão interessante (e até óbvio) que nenhum espectador deixará de notar o visual retrô com seu cast de neon rosa, músicas etéreas que abusam de sintetizadores e personagens mal encarados como se tirados diretamente dos filmes do Charles Bronson.
Referência, aliás, é o cerne da produção: a experiência de se assistir Drive é como desfrutar de momentos tarantinescos com uma ultra-violência vinda direta de Gaspar Noé e, por que não, das desventuras de Onde os Fracos não tem vez. É a evidência induscutível que vivemos em tempos de colagens e reaproveitamentos, em que o progresso da arte trilha se inibe em trilhar caminhos experimentais (como o recente Árvore da Vida e o concorrente à Palm d'Or do ano passado Kynodontas) e flerta cada vez mais com a reciclagem de gêneros e estilos.
Não que haja algum demérito neste tipo de abordagem em relação às mais visionárias. Nas mãos de um cineasta sem talento, Drive poderia se aproximar facilmente de filmes do Steven Seagal ou até mesmo Velozes e Furiosos. Entretanto, para a infelicidade dos adoradores de blockbuster, esta película agraciada com o Grande Prêmio do Júri na França possui seu próprio ritmo, sua própria mentalidade. Talvez pelo seu ar quase meditativo, repleto de momentos sem diálogo e slow motion, a impressão é a de observar uma pintura pós-moderna em movimento, é ter a consciência de que o motorista de Ryan Gosling e todos os malfeitores daquela fictícia L.A. são de facto apenas cinema, e na simbiose de estilo, violência gráfica e trilha sonora, somos deliciosamente arremessados para dentro do filme.
Com grande chances de ser reconhecido pelo Oscar em algumas das categorias principais (direção, atuação, produção, fotografia e trilha sonora), Drive só pode decepcionar mesmo a quem o compre como um filme de ação do verão, assim como uma mulher do estado de Michigan, EUA, que entrou com um processo contra os distribuidores desta película de Refn por achar que o que o que mais faltou foi o driving em si.
Sure, sis.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Acidic Youth
E o seriado britânico Skins sabe bem se aproveitar disso.
Skins é, sobretudo, uma leitura artística sobre as identidades.

Tony é o playboy que, apesar de todas as suas canalhices, está certo a maior parte do tempo quanto à previsibilidade das pessoas.
Sid é um estúpido e tímido que faz lembrar de épocas negras das vidas de muita gente com ingenuidade exarcebada.
Michelle é um deperdício de oxigênio por nunca se valorizar internamente e confiar só em seus peitos.
Maxxie e Anwar pagam seus momentos em cena pela coesão da dupla: o gay e o muçulmano virgem.
Chris, you son of a bitch. Você é o cara. Me lembra bastante o Goku!
Jal talvez seja a mais afetada do grupo por questões familiares. Poor Jal.
Effy me faz lembrar o porquê eu amo personagens mudos e misteriosos.
Se você não tem crianças na sala, não se auto-engana e quer suspender a depressão,
vá por mim. Baixe Skins - a primeira temporada permita-se um pouco de arte juvenil.
Skins, 9 episódios
2007
Indicada ao BAFTA por melhor drama.
sábado, 31 de dezembro de 2011
ill memories - um retrospecto pessoal sobre 2011
Como uma self-fullfiling prophecy (algo como "profecia auto-realizada), encerra-se mais outro ano ímpar desastroso. Essa regularidade, aliás, já não deveria mais me surpreender, pois desde 2001 lembro-me de sofrer irremediavelmente com a mácula destes números. Ainda assim, 2011 veio, mostrou todas as suas garras e fodeu a minha vida muito mais do que eu sequer imaginava.

Just like I said it would be,
O ano acadêmico foi um desastre. Do que adianta formar se tive que adiar indefinidamente meus estudos por causa do embargo do mestrado?
Do que adianta aprender o be-a-bá da teoria se não poderei aplicá-la em lugar algum?
Just like I said it would be,
os anos ímpares são os típicos anos das perdas e das despedidas. Alguns amigos surgiram, mas outras dúzias se foram. Se eu tiver que me acostumar com a efemeridade da vida tirando por base estatísticas pessoais, o certo é começar a manter uma distância de todo mundo, assim evito o sofrer da partida.
Just like I said it should be,
A maldição do escorpião se reafirma. Não dá pra ser afetivamente realizado antes dos 30. Tenho tentado, juro pelos céus que tenho feito meu dever de casa, mas não é só uma questão de falta de sorte. É o destino se arrastando pelos meus pés me impedindo de amar alguém.
Just like I said it could be,
Em 2009 eu fugi de uma cidade que me metia medo. O problema me era alheio como o sol para o vampiro.
Em 2011 eu só podia fugir de mim mesmo. Era minha mente e todos os meus cismas que me queriam morto. E nossa... passou MUITO perto.
Nessa progressão, receio não respirar para ver a cor de 2013.
Agora, não tenho nenhum vínculo com nada nem a ninguém. 2011 tirou o melhor de mim. Minha alegria, meus amigos, meu futuro.
Por isso, peço licença ao propósito deste blog para vomitar meus resquícios de esperança para 2012:
Espero que o mundo acabe. Pior que tá, só em filme.
Continuarei, durante a intermissão até o fim dos tempos, a postar neste espaço com o simples intuito de entreter a mim mesmo.
Tudo que quero, mais do que nunca, é esquecer quem eu sou, quem eu fui, e o que está reservado para mim neste último ano do calendário maia.
Me dá medo fechar os olhos para tentar dormir. Não sei o que é mais pavoroso:
meus pensamentos ou os meus sonhos de tempos que me assombram e me anulam um futuro.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Humanidade é uma palavra com 10 letras
Got bit.
Fever hit.
World gone to shit.
Might as well quit.
A educação se irrefreia, a pólvora sacode e os berros dos mortos errantes soam alto. Em Walking Dead, a tensão de perambular ruas que outrora eram dominadas por carro e gente é de esfriar a espinha. A morte rasteja, é incansável e pára balas em seu peito putrefato.

Walking Dead acompanhou em sua primeira temporada um grupo de sobreviventes que saiu dos perímetros urbanos de Atlanta, Geórgia para se embrenhar numa fazenda cercada por uma grande mata. A filha de um deles está sumida e enquanto bravos homens fazem turnos para encontrá-la, tem de lidar com seus próprios demônios naquele mundo em que a esperança é um tipo de piada de mal gosto. Há gravidez indesejada, questões de moralidade, crianças baleadas,
amores impossíveis, tendências suicidas. O mundo está uma desgraça tanto no além-floresta quanto dentro dos limites campestres.
O segundo ano, que até então tem se desenvolvido no arco da fazenda, suscitou perguntas e holofoteou estereótipos que a televisão difícilmente vê diariamente. Shane diz sob uma voz rouca, cansada e irasciva que se é pra procurar segurança, já é tempo de parar com as buscas e botar abaixo o celeiro cheio de zumbis. O massacre então começa com aquele estilo western apoca
líptico, marca registrada do seriado. Mas a beleza de toda uma temporada está nos segundos finais, ao presenciar Sophia esgueirando-se para fora do abrigo como uma infectada, visando unicamente alimentar-se de carne fresca, e ver Rick tomar a dianteira para disparar a bala da verdade: se seu filho se tornasse um morto-vivo, quanto lhe custaria despachá-lo para o além?The Walking Dead é um programa sobre momentos (o zumbi no fosso, a flor dos índios Cherokee), perspectivas (o tiro de Shane contra Ottis, a noção redneck de Daryl) e valores (a integridade de Rick - a razão sobre a emoção e a política de boa vizinhnha). Acreditar que a ficção científica é um fim em si é descompreender o que as maiores mentes sobre o assunto já discorreram (Isaac Asimov, Allan Moore, Phillip K. Dick, George Orwell). A ficção é a metáfora por excelência, é contar sobre os humanos e seus mitos através das transfigurações que a imginação recebe, metamorfoseadas em formas de arte.
Se você espera de um canal como a AMC cujo mote é "Story Matters Here" um seriado sobre homens matando zumbis enquanto realizam parkour, você entendeu errado a propaganda. Se não gosta de cenas que duram 10, 20, 30 segundos sobre pessoas que dizem tudo sem dizer uma palavra (Shane após conversar com Lori), talvez THE CW fosse um canal mais condizente com o seu gosto.
The Walking Dead é poesia fantástica a 24 frames por segundo.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Virtual Suicide
Vem aí uma nova vida online.
Para mais contatos, favor deixar um recado aqui mesmo ou
no meu email laguna.letras@hotmail.com
Vejo-os aqui dentro!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Neo Noir Britânico
*****
Quando e
ra mais novo, o cinema europeu me parecia coisa de gente Cult. Filmes monótonos e que não pareciam chegar a lugar algum, mas mesmo assim surgiam recheados de menções honrosas em suas capas de DVD que indicavam prêmios conquistados ao redor do mundo.
Como a maioria dos brasileiros, cresci vendo filmes americanos e por esse mesmo motivo não foi fácil gostar do cinema do Velho Mundo, já que em sua essência eles em nada se parecem. Entretanto, os anos passaram e minha perspectiva mudou. Continuo fã inveterado do Tio Sam, mas agora enxergo suas limitações concernentes à censura, à captação financeira, e ao showbiz.
Dito isso, apresento-lhes Luther, uma série britânica produzida a partir de 2010 pela BBC que consiste em duas temporadas até o momento: a primeira com seis capítulos e a segunda com apenas quatro. Diga-se de passagem, este formato da terra da rainha soa bem mais enxuto do que os exagerados 23 capítulos anuais que muitas produções americanas possuem, servindo em sua maioria como fillers desnecessários para tramas que demoram a se desenrolar (vide Supernatural).
Luther conta o dilema de seu personagem título, um negro alto que recupera seu emprego como investigador depois de supostamente deixar com que um criminoso morresse num precipício. Como se não bastasse, também precisa convencer sua esposa a reatarem seu frágil casamento, à beira de uma ruptura depois de tantos anos em crise. A série policial, apesar de utilizar diversos elementos do gênero para se sustentar (casos da semana, genialismos dos personagens para resolver os crimes, chefes insuportáveis, etc), se destaca pela violência gráfica que pinta Londres de uma maneira mais sombria e perigosa, muito mais voltada ao Mundo das Trevas da White Wolf do que CSI. Em Luther, os vilões são ainda mais insanos e perigosos, os heróis são imorais e a sociedade evoca aquele tipo de sentimento descrito por Allan Moore em sua obra prima Watchmen: decadente, corrupta, amarga. Os casos, que nem sempre são resolvidos, revela ao espectador que o triunfo da ordem sobre o caos é quase sempre um milagre. E quando me referi à insanidade dos vilões, quero compará-los a personalidades não menos ameaçadoras que o próprio Coringa, capazes de atear fogo no mundo só pra vê-lo arder. Veja por exemplo Alice, o primeiro antagonista do seriado, que mata a mãe, o pai e o cachorro apenas para provar à si mesma e à polícia de que sua inteligência ímpar jamais deixaria que fosse descoberta.
Se os vilões de representam 30% de todo o brilhantismo do programa, outros 30% é em favor de seu protagonista. Idris Elba compõe John Luther como um personagem profundo, um misto de Dexter, Cal Lightman e um toque próprio, regado a um comportamento de alguém que contempla a morte e a auto-destruição. Quando está imerso na captura de bandidos, Luther se mostra sempre perspicaz e dinâmico, capaz de improvisar sempre que as regras do jogo mudam ou quando suas deduções não estão certas (ponto para o roteiro!). Quando seu lado pessoal é levado em jogo, se mostra passional e destrutivo, sujeito a reagir explosivamente quando colocado sob pressão ou injustiçado. É o desapego pela própria vida que torna seu modus operandi tão fascinante.
Mais 30% de qualidade são ofertados pelo roteiro cujo brilhantismo se torna responsável por reciclar um tema tão comum e recriá-lo ao melhor estilo noir. Auto-destruição, corrupção e anti-heroísmo são as palavras-chave do seriado. Os diálogos são um show à parte. Contemplando a cidade de cima do prédio, a um passo de cair, o detetive remói seus próprios demônios enquanto se julga inapto de lidar com a realidade que tem de enfrentar. Seu amigo se aproxima e pergunta se podem conversar num lugar menos intimidador, mas Luther responde:
-“Você já fez isso? Chegar a um local verdadeiramente alto e perguntar-se como seria simplesmente cair?”
-“Cair ou pular?”
-“É a mesma coisa”.
-“Tomo a liberdade de discordar. Mas, na maioria das vezes vou pra casa ver America’s Next Top Model”.
-“Não se preocupa em estar do lado do diabo e nem mesmo saber que é ele?”
-“Não”.
Spoilers à parte, esta conversa representa uma bela metáfora sobre o presente de Luther, sentindo-se extremamente culpado por suas ações, não obstante não arrependido por elas. Assistam e me digam o que esta cena representa para cada um de vocês.
Por fim, os últimos 10% vai para a soberba trilha sonora, que abusa de canções de rock americano e britânico para dar um tom mais pesado e mais angustiante aos capítulos. Me refiro ao som de Marilyn Manson, Muse, Beck, Massive Attack e outras jóias da música internacional que reconhecerão ao serem tocadas.
Espero honestamente que tenha despertado o interesse de vocês em assisti-la. Luther é uma dessas séries que passará batido para a maioria dos brasileiros, mas é claro que seu público-alvo é mais selecionado. Se gosta de histórias de crimes engenhosamente planejados, finais infelizes e gosta de ser surpreendido por cenas chocantes de violência, faça um favor a si mesmo e baixe esta produção.
Clique abaixo e assista ao trailer!
terça-feira, 19 de julho de 2011
The Witchin' Hour
review sobre os episódios de True Blood
s04e02 - You smell like dinner
s04e03 - If you love me, why am I dyin'?
Mordi minha língua. True Blood mais uma vez ownou.
Se no post do episódio anterior reclamei do reboot (recurso narrativo que reinicia uma idéia ou história), desta vez não tenho mais o que falar sobre ele, afinal, a passagem de tempo vista na perspectiva de Sookie não alterou significantemente o rumo da história. De todas as mudanças vistas, presumo que apenas a de Bill Compton como novo rei de Louisiana provocará mudanças estruturais na narrativa dessa temporada.
True Blood, este misto de monstruosidades humanizadas, já não impressiona tanto ao revelar que tal personagem é um ser sobrenatural. Nem somente se presta mais a prender o interesse do espectador pela descrição desses seres. A série é, e deveria continuar a ser, uma alegoria distorcida das relações humanas frente a “problemas” básicos como poder, ganância, paixão e ira. Jéssica, por exemplo, é mesmo uma inata caçadora ou apenas alguém cuja personalidade é fraca o bastante para escutar as palavras de Pam quanto ao flerte em Fagntasia?
Contudo, existem alguns personagens que travam o progresso da série, infelizmente. Um deles é Tara, que não se desenvolve maneira interessante desde o primeiro ano. Sua chatice e seu posto de vítima das circunstâncias tornam suas cenas monótonas, e nem mesmo seu caso lésbico mudará esse quadro. Da mesma forma, também rezo para que o papel daquela garçonete ruiva (esqueci o nome, sorry) também seja dissolvido; o draminha tolo com seu bebê com genes de serial killer provavelmente não irá a lugar nenhum.
Por outro lado, o que antes parecia uma versão de mal gosto das Bruxas de Eastwick ou Convenção das Bruxas (clássico do SBT), ganhou forma própria e se tornou uma ameaça real aos vampiros de True Blood. O Moon Goddess, coven liderado por Marnie, traz consigo Lafayette, Jesus (aqui prestando seu nome mais uma vez à ironia de seu nome) e Tara, numa profusa combinação que mudará as bases de lealdade entre o elenco.
Bill Compton, por sua vez, remete às mais longevas noites de Vampiro: A Máscara ao converter-se em Rei de Louisiana e mostrar-se mais complexo do que se imagina, pois apesar de seu interesse (romântico?) em Sookie, seus objetivos maiores parecem estar acima dele próprio. Infiltrar-se na monarquia e desmantelá-la de dentro pra fora é uma idéia potencial; veremos aonde isso vai dar.
sábado, 16 de julho de 2011
Reloaded Vampires
review sobre o capítulo de True Blood: S4E01 - She's not there
Quando se lê uma boa história, o desejo que nos desperta muito comumente é que ela fosse infinita, agradando-nos eternamente. Quem dera se existisse Matrix 4, 5, 6, 7... ou Clube da Luta 2: A Missão Caos. Mas como bem conhecemos o teor das continuações, dificilmente elas fazem jus ao material original, tornando-as dispensáveis e até mesmo ultrajantes se comparadas com o texto primário.
A natureza dos reboots também é ambígua: pode tanto ser para melhor ou pior. Alguns filmes e seriados são lançados porcamente, e quem dera se tivéssemos tantos Christopher Nolans por aí para consertar as cagadas de diversos diretores, tal como ele logrou em sua empreitada do novo Batman, de 2005.
E é o fenômeno do reboot que ocorre nesta season premiere da quarta temporada True Blood: com um recurso narrativo em diferentes planos dimensionais, acompanhamos Sookie fora de seu tempo durante sua estadia em Arcádia e, ao voltar ao plano material, descobre que Bons Temps está irreversivelmente alterada. Este “reset” no background dos personagens me suscita uma pergunta elementar: True Blood precisa mesmo disso? Desse salto temporal?
Em três temporadas, vimos muita coisa acontecer. Lobisomens, fadas, vampiros, metamorfos. Vimos um vampiro ancião entrar em rede nacional ao vivo e direcionar-se à America, enquanto arrancava a espinha de um jornalista. A série já contou tudo o que tinha pra contar? Se a resposta for “sim”, este reboot apenas trará mais dinheiro para o bolso dos produtores, colocando seu aspecto artístico em segundo plano. Se “não”, espero muito que Allan Ball me faça morder a língua e me apresente uma temporada tão boa quanto as anteriores, porque a única coisa que esta season premiere me fez sentir foi indagar o porquê eu deveria continuar dando audiência para o drama.
OBS: não pretendo fazer resumos dos capítulos neste blog. Os comentários são ACERCA da obra e só são úteis se você já a assistiu. Também não me vejo na obrigação de falar sobre cada um dos núcleos do show; esse tipo de resenha é esquemático e chato.




