segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Mea Culpa

review sobre o episódio de Dexter
5.01 - "My Bad"


Depois de tantos meses, já não sei mais quantos exatamente, Dexter Morgan voltou. O período não só foi mais angustiante porque, nesse meio tempo, outros personagens de outras histórias me distraíram. Mas Setembro enfim chegou, e aquela noite de céu rubro também.

Rita está morta. A doce e linda Rita. Na última vez que a vimos ela estava um pouco intolerável, cobrava demasiado de seu marido. Mas se uma mulher tiver que morrer toda vez que encher o saco do homem, a raça humana não durará muito tempo. Com a morte de Rita, Dexter fica paralisado. Nenhuma lágrima escorre de seu rosto, que se mantêm congelado enquanto processa o fato de uma maneira distante, indiferente. As pessoas ao redor não acham apenas estranho, mas bizarro. Deb e Quinn principalmente. A falta de qualquer reação humana daquele pobre homem evidencia sua natureza distorcida, danificada.

Laguerta passa o caso para o FBI. Para ela, não há uma maneira fácil de lidar com todo o processo. O pessoal da Miami Metro não gosta muito da idéia, e o detetive Quinn começa a colocar o nariz onde não deve. Debra se preocupa com as questões funerárias, e mantém-se forte como pode para segurar a barra, mesmo que para isso tenha de ter uma transa repentina com seu parceiro do departamento.


Cody e Astor voltam da Disneylandia, e o chapéu de Mickey que eles trazem para a mamãe terá de ficar como souvenir, ou então ser queimado. A cena entre os garotos, seus avós e Dexter é debilitante. Lidar com a morte não é trabalho para qualquer um, e por mais que nosso protagonista a conheça muito bem, é incapaz de amenizar a notícia com palavras mais suaves. "Um homem entrou na nossa casa e... a matou". O último verbo sai com um som grave, mais distante que o habitual. Mesmo voltando a cena várias vezes, é imperceptível o movimento de seus lábios (tenho a impressão de que ele não disse nada; o que vimos foi uma sentença em off).

Ao final dos 50 minutos de projeção, Dexter pensa em fugir, queimar as evidências, desaparecer como seus sacos afundados. "90% dos casos em que a esposa é assassinada, o marido é o culpado, lembra-se?", afirma Quinn para Laguerta. Com uma estatística dessas, qualquer um pensa em fugir, mas o ato só confirma a responsabilidade de assassinato. Como desabafo, Dexter destrói um transeunte mal encarado num banheiro sujo no meio do nada. A atitude choca; nosso Dark Defender não costuma a agir tão inconsequente. Mas ele o faz, e durante o processo, derruba portas velhas e grita. Não chora; grita.

Dexter se recompõe para o funeral. Suas palavras sugerem que ele ficará por perto, para apoiar e ser apoiado por aqueles que estimam sua falecida esposa. O FBI também ficará.

E nós, espectadores, também.
Sim, porque nos identificamos com um matador em série.
E isso desperta aquela parte em nós no fundo que diz: eu não me importo.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Como os nús que guiam os cegos, eu sei que sou egoísta, que sou insensível.
Amor tolo, eu sempre acho alguém para magoar e para deixar pra trás.
Completamente sozinho no espaço-tempo; não há nada aqui, mas o que tiver é meu.
Algo emprestado, algo deprimente; cada eu e cada você.
- "Every You Every Me". Placebo, 1999
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I love the way you love, but I hate the way I'm supposed to love you back.
- "Miss You Love". Silverchair, 1999.
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sábado, 15 de maio de 2010

This Life Could be the Last

Procurando uma música que fizesse sábado de merda valer a pena, me deparei com uma do Muse simplesmente fantástica. Acho que a letra dispensa interpretação ou comentário; é muito simples e muito clara.

Blackout

Não brinque consigo mesmo
e não se engane.
Esse amor é bom demais pra durar,
e eu estou velho demais pra mudar.

Não cresça rápido demais
e não abrace o passado.
Essa vida é boa demais pra durar,
e eu estou novo demais pra me importar.

Não brinque consigo mesmo
e não se engane.
Esta vida pode ser a última
e você é jovem demais pra enxergar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Reloaded

Uau.
Muito tempo se passou desde que realmente quis escrever aqui.
Justificativas? Infinitas.
Motivos? Nenhum.
Desde que voltei dos EUA, não parei um só segundo. Passei momentos
difíceis (leia-se: 2009 - o pior ano da minha existência que terá longos 108 anos),
mas mesmo assim não encarava esse blog como um inútil diário virtual mais.

Pensei em escrever sobre filmes, mas passei a ver tão poucos...
Pensei em escrever sobre séries, mas passei a ver tantas...!

E, justamente, duas pessoas me influenciaram a usar esse espaço novamente:
Augusto e Haendel.

Augusto está de volta dos EUA também e mandando ver em seu "A Cloud Maker", um blog de críticas de filme. Haendel visitou minha página e leu um post antigo sobre meus contos quando estes ainda não passavam de idealizações. Pouco mais de um ano depois, O Vendilhão de Rumores está todo em manuscrito, mas não sei como editá-lo, como finalizá-lo. Será aquele tipo pessoal de tormenta na vida de todo pseudo-escritor, sabe? Igual o Inception foi para Christopher Nolan, ou Avatar para James Cameron. Doppelganger também está em pedaços, mas eu me sinto sempre capaz de escrever mais algumas linhas. A história é boa, mas ao contrário do que eu previ em 2009, ela também tem elementos de ficção-científica... The Bystander Effect continua como um simples vislumbre em minha cabeça. Ainda não comecei nada dele. Bom, Salões Oníricos. Esse sim deu pano pra manga. Mas é melhor deixar pro próximo post.

There is nothing like home.


quarta-feira, 11 de março de 2009

Down is the new Up. part 2

algumas linhas sobre Radiohead.

"Cidade de ponta à cabeça. Controle de perspectiva. aahuhauhauhau

Fuck us.
Você vê o que nós queremos que veja.
Respira, come e conhece o que queremos que conheça.

Nós dobramos, contornamos, alteramos e ajustamos tua realidade.
Nosso propósito é esse: certificar de que nosso status quo seja eterno.
Você aí, nadando na ignorância enquanto se distrai no entretenimento,
e nós aqui, visando um futuro cada vez mais estável para todos.



Organize-se,
Deixe a luz entrar.
Sirva-se de um banho quente, sirva-se de um drinque.
Nada vai acontecer sem aviso.
Pra baixo é o novo pra cima.
Qual é, viadinho?
Pra baixo é o novo pra cima, é o novo pra cima.

Não quer ser minha garota?
Não quer ser minha garota?
Seus serviços não são requisitados.
Seu futuro é negro, você é tão "semana passada"!

Senhoras e senhores,
sem cama elástica realizarei agora um flip flop 180.
Devo agora amputar, devo agora contornar.

Porque pra baixo é o novo pra cima.
E se eu simplesmente der um flip-flop?
Pra baixo é o novo pra cima, é o novo pra cima!

Você saiu de fininho e nos deixou.
Seu bastardo! Seu bastardo!

Você aí na Câmera Cândida,
Esse trincado em sua armadura...
Essa cidade de ponta à cabeça...
Essa cidade de ponta à cabeça...

Esvazie seus bolsos!
Passe pra frente, passe adiante!

Você saiu de fininho e nos deixou."